O Teu Próprio Tempo (Canto 4)
A roseira não corre pra vencer o lírio,
Nem o carvalho tem ciúme da paineira;
Cada broto atravessa o seu martírio,
Cada fruto conhece a sua esteira.
Por que torturas teu pensar aflito
Olhando o passo de quem vai ao lado?
Cada destino tem seu traço escrito,
Cada caminho quer ser navegado.
O teu ritmo tem uma beleza rara,
Não apresses o que precisa amadurecer;
A fonte límpida na rocha pára
Para poder mais doce descer.
Camufla a pressa, acolhe o teu momento,
Aplaude a colheita que teu braço tem;
Há tanto sol guardado no teu vento,
E tua aurora há de chegar também.
“Não corra contra o tempo: cada flor tem a sua estação exata para abrir as pétalas para o mundo.”
Cristiano Ricardo — Escritor
Caderno de Poesia & Reflexões Humanas · Publicado em 30/03/2019 às 03:30.








