O Banquete dos Aduladores e o Julgamento do Espelho — Caderno de Vida (2026)
A armadilha da bajulação que cerca os poderosos e os cega para a própria fraqueza; como o tempo transforma estátuas de bronze em poeira. Uma crônica sensível e profunda por Cristiano Ricardo sobre a soberba do colarinho branco e a solidão do poder.
Conheci homens que, antes de assumirem cargos de mando, eram pessoas razoáveis, capazes de rir de si mesmas e de cumprimentar o porteiro com espontaneidade. Bastou, no entanto, receberem uma sala ampla com secretária exclusiva e uma corte de assessores ávidos por favores para que uma metamorfose sinistra operasse em seus carácteres.
O poder sem freios morais tem um efeito alucinógeno. O chefe passa a acreditar que suas piadas sem graça são geniais, que suas ordens absurdas revelam visão estratégica e que qualquer crítica legítima é um atentado de traidores invejosos. O círculo de bajuladores ao redor encarrega-se de blindá-lo contra o oxigênio da realidade: aplaudem tudo, calam-se sobre os erros e alimentam a fogueira da vaidade desmedida.
É uma tragédia anunciada. O déspota corporativo ou político vai se isolando numa redoma hermética de soberba, até o instante inevitável em que a crise estoura, a demissão chega ou o mandato se encerra. No dia seguinte ao da perda do cargo, o telefone para de tocar, os 'amigos' inseparáveis fingem que não o veem na rua e o salão do banquete esvazia-se em segundos.
A verdadeira autoridade não precisa gritar ordens nem humilhar subordinados; ela emana da competência tranquila, da justiça nas decisões e da lealdade aos princípios. Quem precisa apequenar os outros para parecer grande já confessou a sua irremediável pequenez.
“O bajulador é o parasita mais perigoso do poder: ele alimenta a loucura do chefe até que o abismo se encarregue de engoli-los juntos.”
— Cristiano Ricardo, em reflexão sobre a soberba do colarinho branco e a solidão do poder
Olhar para trás e reconhecer cada curva dessa estrada não é um exercício de nostalgia vazia, mas um ato sagrado de reconciliação com a própria história. Que possamos atravessar os dias que ainda virão com o coração desarmado, prontos para lutar pelo que é justo, acolher os que sofrem e celebrar a graça imensa de estar vivos e lúcidos sob a claridade deste céu.
Cristiano Ricardo
Escritor, Cronista & Pensador do Cotidiano · Publicado em 02/09/2026 às 02:58
O conteúdo deste artigo possui caráter exclusivamente informativo, educativo e de divulgação científica, baseado em literatura farmacêutica revisada por pares e diretrizes de Farmácia Baseada em Evidências. As informações não constituem recomendação terapêutica, diagnóstico clínico ou prescrição farmacêutica individualizada. Não substitui a consulta com um médico ou farmacêutico habilitado. Consulte sempre um profissional de saúde antes de iniciar, alterar ou descontinuar qualquer tratamento.
Conheça nossa Política Editorial, Fontes de Pesquisa e Metodologia Científica →
Dúvidas ou sugestão de correção editorial? Fale diretamente com a Redação ([email protected])








