A Dignidade Inegociável da Palavra 'Não' — O Olhar Maduro (2007)
A recusa corajosa em compactuar com a fraude, com a humilhação do colega ou com a servidão do conveniente; a paz do travesseiro. Uma crônica sensível e profunda por Cristiano Ricardo sobre a força moral de dizer não.
A sociedade nos treina desde a escola para sermos dóceis, condescendentes e 'colaborativos'. Em muitos ambientes de trabalho e círculos sociais, a cordialidade superficial é usada como verniz para mascarar a canalhice institucional: pede-se que você assine um documento com números maquiados, que ignore o assédio moral contra o estagiário ou que aplauda a demissão injusta de um profissional exemplar.
É nessas encruzilhadas silenciosas que o caráter do homem é forjado. Ceder é sempre mais cômodo a curto prazo: garante a manutenção do bônus, preserva as relações de conveniência e evita o desconforto de ser apontado como o 'difícil' do grupo. Mas o preço a médio prazo é ruinoso: a perda paulatina da autoestima e a podridão da consciência.
Dizer um 'não' firme, tranquilo e irredutível ao arbítrio de um superior ou à pressão de uma maioria corrompida tem a força de um ato de purificação. Pode custar o emprego, pode custar convites para jantares elegantes e pode custar o aplauso de quem se vendeu barato, mas devolve a posse inalienável da própria alma.
Nenhum contracheque deste mundo é alto o suficiente para pagar o desconforto de não conseguir olhar nos próprios olhos no espelho pela manhã. Os que dizem 'não' no momento certo mantêm a chama da decência humana acesa em épocas de eclipse moral.
“Há momentos na vida em que a subserviência custa a nossa dignidade; dizer 'não' ao erro é o único jeito de continuar respeitando a si mesmo.”
— Cristiano Ricardo, em reflexão sobre a força moral de dizer não
Olhar para trás e reconhecer cada curva dessa estrada não é um exercício de nostalgia vazia, mas um ato sagrado de reconciliação com a própria história. Que possamos atravessar os dias que ainda virão com o coração desarmado, prontos para lutar pelo que é justo, acolher os que sofrem e celebrar a graça imensa de estar vivos e lúcidos sob a claridade deste céu.
Cristiano Ricardo
Escritor, Cronista & Pensador do Cotidiano · Publicado em 30/11/2007 às 03:04
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